6.7.03
we're just friends... doing friendly things.
era por volta das 6 da tarde quando chegamos em guará na casa do Helton, dono da roça. colocando as coisas no carro, checando
a bagagem, etc.
eu com a espingarda de chumbo na mão, vira a polícia láááááá na esquina, e eu na minha, claro. eis que o cara começa gritar:
"poê a arma no chão cara! solta a arma! vai!" ... afastei a arma do meu corpo e lentamente fui abaixando, ouvindo uns
"continua abaixando a arma". antes que ele fosse checar a arma nós já avisamos que era de chumbo. não deu outra, caímos na
risada, esse fato foi só pra marcar o início do programa.
chegamos na roça, deixamos tudo de qualquer jeito e fomos colocar as fofocas em dia, e ficamos esperando o furão, que não
apareceu, como sempre.
resumindo:
acendemos uma fogueira...
por volta da meia-noite nós saímos para a clássica "caminhada do terror" que é de praxe pra gente toda vez que vamos pra lá.
imagine um escurão, mas beeeem escuro mesmo, de não enxergar nada além de um palmo de distância. um frio do caralho, muito
frio mesmo. e uma estrada de terra com mato em volta, bambuzais em algumas partes, pasto, animais, coisa e tal...
6 pessoas, cada uma com um tipo de arma, desde facão, foice, até a espingarda, que não tinha chumbo. uma laterna só.
em algumas partes mais abertas da estrada, paramos um pouco para olhar para o céu, que aliás fica maravilhoso; desligamos a
lanterna pra economizar bateria, usando-a mais em lugares escuros de verdade. e assim vamos até a estrada de asflato, que
fica a meia-hora de caminhada. no asfalto, assustamos alguns carros, conversamos um pouco. e depois voltamos pelo mesmo
caminho.
na volta tudo é mais fácil, não sobra um pingo de medo para nós, que sempre fazemos isso. as vezes a gente até faz uma
brincadeiras como jogar pedras no mato pra fazer aquele barulhão, todo mundo vira pro barulho sincronizado, bem legal.
na parte do bambuzal é lanterna na certa, pois o barranco cobre a luz da lua.
o mais interessante é que escutamos o barulho de alguma animal, que não sabemos qual é. pelo barulho dava pra saber que não
era gambá, e nenhum bicho pequeno. não era cavalo, nem animal maior que isso. a suspeita maior era uma jaguatirica, pra quem
não sabe, é tipo uma onça. supomos também que ele estava em posição de ataque, andando de um lado pro outro, tentando achar
um caminho até a gente... ficamos um tempão escutando o barulho até enjoarmos do suspense e continuamos o caminho de volta.
chegamos cansados como sempre, conversamos mais... vimos um cine privé: "a vingança de emmanuelle". será que só passa os
filmes da emmanuelle no cine privé?
enfim, era 4 e poco da manhã quando resovlvemos ir dormir. eu fiquei até mais de 5 pra dormir, só pra variar.
antes de dormir, ainda ouvia-se conversar no quarto ao lado, bem baixinho, inteligível. o silêncio vai tomando conta aos
poucos, tudo quieto, nem um pio... nem de pessoa, nem de animais, nem a madeira estala mais com a temperatura.
quase 7 da manhã começa uma buzina incessável, eu acordo na hora, vou pra sala onde já estava o Eduardo (Turco) e o Ricardo.
ainda meio dormindo, sem saber o que ocorre, abrimos a porta e fomos tentar resolver o problema, era algo no fuzível da
buzina, apenas retiramos o fuzívelzinho como bons homens...
[fiquei pensando se tivesse só mulher lá, o que elas fariam... o que vcs fariam?]
voltamos a dormir e acordamos com o Maurício gritando que já tava indo embora, pq era aniversário da mãe dele, e se não
íamos nos despedir dele, coisa e tal.
acordamos bem na hora da corrida... vimos o Rubinho mandar mal, depois comemos um pouco, demos um jeito na casa, lavamos
louça, arrumamos camas, varremos o chão, etc.
chegou a hora do almoço era hora de ir embora, já que a comida estava escassa e nosso plano [ou a falta de planejamento] só
nós sustenta até esse ponto.
"vamos embora então?!"
a buzina quase arriou a bateria do carro, e tivemos que esperar um pouco até tudo dar certo.
voltando pela estrada de Cunha, indo na direção da cidade de Guará.
a gasolina acaba.
isso foi só pra fechar o nosso dia como bons amigos.